Uma vez ouvi, "o cliché é cliché exactamente porque funciona". Ai é? Então porquê esta busca constante pela originalidade, porque não confinar-nos a uma imensidão de clichés, dados adquiridos, frases feitas, situações seguras que sabemos que não nos falharão e que darão sempre o resultado que desejamos?
Até neste momento estou irritada porque o que escrevi até agora é um cliché.
As coisas mais bonitas que já escrevi foram cartas de amor, porque sei que ninguém escreveu nada igual, não é cliché porque ninguém mais sente o que eu sinto, nem pode escrever o que eu escrevo acerca de um sentimentos que só eu tenho. Eu estou-me a esforçar, juro que estou! Mas até esta pequena intervenção escrita como uma justificação de nível pessoal já vi escrita num livro de Le Clézio. Como é que posso ser original? Quando eu ler isto outra vez, vou desejar apagá-lo. Acho que isto acontece porque não falo de coisas importantes. Vou falar de coisas importantes então.
O que é importante para mim é a minha família, o meu namorado e a minha carreira. Posso falar de cada um, mas sou uma privilegiada que não tem queixas em qualquer âmbito desses parâmetros da minha vida.
Nunca perdi ninguém muito importante para mim, consegui atingir quase todos os objectivos que me propus alcançar, sou feliz. Se calhar o que falta em mim, para que a minha escrita seja boa, é substância de vida, mas da dolorosa, que o que o povo quer é sangue. Se calhar devia cortar os pulsos, para jorrar a felicidade e eu me transformar num contentor de más emoções. Algo que consiga demonstrar por palavras e aí sim, ser original.
Eu acho que vou ficar por aqui, antes que estrague e apague tudo. Peço desculpa pelos erros, mas se reler vou apagar cenas. E, a partir de agora, só escrevo, não releio nem apago. Registo tudo. Até os erros. Obrigada pela paciência.
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